quinta-feira, 5 de junho de 2008

STF aprovou pesquisas com células-tronco embrionárias. E agora?



Ontem e hoje, os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) se reuniram para definir o indefinível, cientificamente: em que momento começa a vida. Não conseguiram, é claro, estabelecer exatamente a origem da vida humana.

Mas, ao final, chegaram ao consenso de que os embriões, nos primeiros dias, não têm status de "pessoa". E, por isso, decidiram que as pesquisas com células-tronco embrionárias não são inconstitucionais.O STF aprovou, sem restrições, a continuidade das aludidas pesquisas no País. Mas o presidente do Supremo, Gilmar Mendes, o último a apresentar sua decisão e votar a favor das pesquisas, disse que há necessidade de uma análise por parte do comitê ligado ao Ministério da Saúde.

Eles julgaram uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contrária às pesquisas, em direito à vida. Depois de um debate acalorado sobre a interpretação dos votos e as restrições sugeridas pelos ministros, o presidente encerrou a sessão, anunciando um placar de seis votos pela improcedência da ação. Mas houve cinco votos com ressalvas, em maior ou menor grau, às pesquisas.
As ressalvas feitas pelos cinco ministros (de um total de onze) estimularão, com certeza, um debate no Congresso, haja vista ser a questão em apreço extremamente sensível, relacionada com a vida e com a dignidade humana.

Para muitos, a decisão do STF foi uma vitória da vida, atendendo à expectativa de milhares de pacientes que têm esperança de cura para as suas doenças. Segundo eles, as pesquisas de células-tronco trarão respostas para doenças que não têm tratamento hoje.


Mas, o que a Bíblia diz a respeito? Em Salmos 11.3, está escrito: "... os fundamentos se transtornam. Que pode fazer o justo?" Como os crentes em Jesus Cristo, através da bancada evangélica, em Brasília, devem se posiocionar quanto a esse assunto? Em primeiro lugar, todos nós devemos ter um conhecimento mínimo acerca das células-tronco, à luz da Palavra de Deus e da ciência. E é esse o objetivo dessa postagem: informar o povo de Deus sobre o assunto, ainda que de maneira sucinta.


O que são células-tronco?As células, de maneira geral, são as unidades estruturais e funcionais dos organismos vivos. Uma célula representa a menor porção de matéria viva dotada da capacidade de auto-duplicação independente. Depois da fecundação, o ovo se divide em duas partes, de duas em quatro, de quatro em oito e assim sucessivamente até atingir a fase de algumas centenas de células com o poder de se diferenciarem em qualquer tecido.

No entanto, em determinado momento, “elas recebem uma ordem”, e umas se diferenciam em fígado, outras em ossos, sangue ou músculo, etc.

Daí em diante, todas as suas descendentes, de acordo com essa mesma ordem, continuarão diferenciadas: a célula do fígado só vai dar origem a células do fígado; a do sangue, só a células do sangue...As células-tronco são células mestras, capazes de se multiplicarem e se diferenciarem nos mais variados tecidos do corpo humano (sangue, ossos, nervos, músculos, etc.).

No momento da fecundação, como já vimos, começam as primeiras divisões celulares e surgem as células-tronco, que dão origem a todos os tecidos do corpo. Estas células existem até quando o embrião atinge 32 a 64 células.

Células-tronco adultas são encontradas em vários tecidos humanos, em pequenas quantidades, no cordão umbilical, na placenta e na medula óssea. As células-tronco embrionárias — cobiçadas por terem múltipla capacidade de diferenciação — são obtidas a partir de um óvulo fecundado (geralmente, descartado em uma clínica de fertilidade), e precisam ser colhidas até a divisão em 64 células, o que leva no máximo cinco dias.


O que a ciência diz sobre as células-tronco embrionárias?Os cientistas, em sua maioria, dizem que, se for constatada a morte cerebral de alguém, pode-se — se a família estiver de acordo — retirar dele o coração e outros órgãos para transplantá-los numa pessoa que precise. A sociedade não só aceita esse ato da medicina como o considera louvável.


Qual é o princípio que orienta tal procedimento? A ausência de funcionamento do sistema nervoso. Esse princípio, segundo a ciência, deveria se aplicar à manipulação de embriões, uma vez que não existe neles o menor esboço de sistema nervoso central.Os pesquisadores também afirmam que não tem lógica considerar que um óvulo fecundado por um espermatozóide num tubo de ensaio, depois de três ou quatro divisões, é uma vida com o mesmo direito de uma criança na cadeira de rodas, sentindo-se cada vez mais incapacitada.

Numa matéria publicada em 5/11/2007, em O Estado de São Paulo, há a seguinte declaração da diretora do Centro de Estudos do Genoma Humano da Universidade de São Paulo (USP), Mayana Zatz:"Há uma diferença muito grande entre uma célula viva e um ser humano. Cada célula do corpo está viva. Um coração a ser transplantado está vivo, mas isso não quer dizer que seja um ser humano. A possibilidade de um embrião gerar células não quer dizer que vá gerar um ser humano".


O que a Palavra de Deus diz sobre isso?De acordo com a Bíblia, que está acima de qualquer ciência, o ser humano não se restringe à matéria. O "homem interior" (espírito+alma) é mais importante do que o homem exterior, isto é o seu corpo (Zc 12.1; 1 Ts 5.23), como lemos em Jeremias 1.5:"Antes que eu te formasse no ventre, eu te conheci; e, antes que saísses da madre, te santifiquei e às nações te dei por profeta".O ser humano é criado, formado e feito, nesta ordem; ou seja, antes da sua formação já é conhecido pelo Criador (Is 43.7; Gn 1.27; 2.7,22).

Para Deus, o corpo informe, mesmo sem o funcionamento do sistema nervoso, já é considerado um ser humano. Leia com atenção Salmos 139.13-16.Por conseguinte, ainda que os ministros do STF tenham outro entendimento, dissociado do que dizem as Escrituras (nossa regra de fé, de prática e de vida), e haja um grande clamor pelo emprego de células-tronco embrionárias em pesquisas pró-vida, os embriões são pessoas inocentes e indefesas (Êx 23.7).

É claro que essa questão envolve outros aspectos. Sugiro a todos que se aprofundem no assunto, analisando todas as implicações das mencionadas pesquisas. Mas uma coisa é certa: não podemos aceitar como verdadeiro tudo o que a ciência diz (1 Tm 6.20; 2 Co 4.4). Para os salvos em Cristo a Palavra de Deus é a fonte primacial de autoridade (2 Tm 3.16,17).


Ciro Sanches Zibordi

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Adoradores Radicais

Ser radical para Deus não tem nada a ver com o estilo de musica que ouvimos ou cantamos, e muito menos com estilo de roupas ou de cabelo que usamos. Hoje ouvimos muitas frases como: "adoradores radicais", "ministros extravagantes", "geração radical". Mas a verdade é que poucos são os radicais de verdade, radicais são aqueles que fazem diferença no mundo e no âmbito que os rodeio, seja na escola, no trabalho, na igreja ou na rua.


O fato de cantar musicas com um estilo diferente, não nos torna radicais; só nos torna diferentes. Não adianta você ficar pulando nos cultos, berrando e uivando e rolando no chão, se depois na sua casa você é uma pessoa desobediente e de péssimo testemunho. não adianta cantar e dançar "as musicas da ultima moda radical". se na primeira chance que você tem, acaba negando sua fé e se envergonhando de Jesus. Eu quero deixar bem claro que gosto muito de pular e dançar, e ate mesmo de rolar no chão. Mas não é isso que nos torna radicais.

Radical é também aquele que toma atitudes contra o pecado e a favor da santidade. Radical é aquele que se declara crente logo no primeiro dia de aula. Radical é aquele cuja vida influencio a vida dos outros para seguir a Jesus.

Não é possível ser radical sem pagar um preço por isso, por este razão eu afirmo que são poucos os radicais de verdade. Eu sempre tive um estilo de musica um pouco diferente, desde a época da Argentina, quando ainda não era crente, eu gostava de pesquisar e utilizar instrumentos diferentes. Gostava de misturar sons do altiplano (cordillera dos Andes) com sons elétricos e sintetizados.

Mas quando me converti ao evangelho, fui convencido de que devia entrar em um padrão de musica mais normal. E então entrei nessa onda de "clonagem" onde todas as musicas eram parecidas e os ministérios e bandas soavam quase que iguais.

Eu me sentia um pouco preso e sem expressão. Mas um dia em 1996, meu amigo Gregário Mc Nutt, me emprestou uma fita de vídeo onde estava gravado um culto nos Estados Unidos, O que me chamou a atenção, foi que o líder do louvor usava instrumentos e sons muito diferentes dos padrões acostumados no nosso meio. Ai "caiu a ficha", e eu fiquei tão impressionado, que disse para mim mesmo:- é isso! Essa é minha praia!

Então chamei meus músicos para uma reunião na minha casa, e mostrei a fita para eles, e disse: -Vocês estão dispostos a pagar o preço?

E eles responderam:- Estamos com você para o que der e vier!

A partir de aquele dia a nossa musico mudou, e eu me sinto mais realizado por tocar um estilo que eu gosto. Mas o preço foi alto. Muita rejeição, pouca popularidade, e em algumas igrejas fomos convidados o nos retirar. Nós tínhamos duas escolhas: ou vender o nosso chamado e tocar as musicas que todos queriam ouvir, ou continuar pagando o preço ate que houvesse um "irrompimento". E escolhemos a segunda opção. Os resultados vieram com o tempo. Hoje o nosso ministério certamente não está entre os mais populares, justamente por causa do estilo, mas já temos um espaço maior de trabalho e os convites chegam de todas as denominações. O importante disso tudo não é justamente o estilo da musico em si, não importa qual é seu estilo, desde que seja algo que esta dentro de você, algo que Deus colocou em você, e não um padrão estabelecido por homens, Alguns cientistas e pesquisadores chegam a passar fome por causa daquilo em que acreditam. Mas parece que no nosso meio não é bem assim, quando se trata de pagar um preço são poucos os que o querem fazer. Eu passei algumas necessidades porque acreditei no meu chamado, houve momentos em que quase desisti por causa da pressão financeira, mas a graça do Senhor me bastou para poder continuar.

Um "trio" radical

Uma das passagens da Bíblia que mexe muito comigo é a do capítulo 3 de Daniel (todo). A historia de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. O rei Nabucodonosor fez uma imagem de ouro enorme para fins idólatras, e juntou seus prefeitos, governadores, juizes, etc, para a consagração, Ou seja, toda a mídia e as autoridades faziam do evento algo a nível nacional e até cultural.Toda vez que fosse tocada a música com os instrumentos descritos na passagem, todo aquele que ouvisse o som devia se prostrar imediatamente diante da imagem de ouro, e adorá-la; e aquele que não se prostrasse seria lançado na fornalha de fogo ardente.

Você deve lembrar que esse trio, Sadraque. Mesaque e Abede-Nego, não obedeceram tal ordem, e deixaram o rei furioso e irado. O rei mondou chamá-los e os confrontou, e perguntou-lhes qual seria o deus que poderia livrá-los das suas mãos. Mas eles responderam que não precisavam responder a essa pergunta, e que se Deus quisesse livrá-los Ele os livraria, mas se Ele não os livrasse não haveria problema, pois eles conheciam o seu Deus e confiavam Nele.

Em outras palavras, eles estavam comunicando ao rei que para eles, era melhor morrer com Deus do que viver sem Ele.

Nos dias de hoje acontecem coisas semelhantes, "a imagem de ouro" seriam as muitas concupiscências com as quais somos tentadas diariamente, muitas não parecem pecados, porque tem um tom meio "cultural", a até vemos governantes, atores, autoridades e celebridades e até líderes religiosas praticando tais "atrocidades culturais", que o nosso Deus continua chamando de pecado. Nossos jovens estão sendo tentados a cada dia, a terem relações sexuais, usarem drogas e bebidas, e todo tipo de pecado que já não é visto como pecado, mas como uma evolução da sociedade, hoje ser homossexual está na moda e quem não é homossexual é considerado "ultrapassado". Mas voltemos a historia de Sadraque e seus amigos. Tal vez se eles se prostrassem diante da imagem de ouro, ninguém perceberia; eles poderiam enganar os outros crentes da época, e hoje acontece o mesmo, tal vez se você se vender ao pecado só para ser aceito pela turma ou pela sociedade, tal vez ninguém perceba: mas o seu coração sabe, e Deus também, o que é pecado e o que não é.

Havia muitos judeus ou muitos crentes daquela época: mas a bíblia relato que só esses três não se dobraram diante da imagem de ouro, tal vez os outros se dobraram e passaram desapercebidos. Mas isso não se refere somente a se desviar do evangelho, pois hoje vemos outros tipos de "imagens de ouro", e outras formas de se vender ou se dobrar.

Hoje vemos ministros, músicos, pastores, e até muitos que se auto - intitulam profetas, se vendendo por um pouco de nome e fama, e ficam cegos pelo brilho dos holofotes. Pessoas pulando de ministério em ministério, e de igreja em igreja. Alguns correndo atrás de salário, vendem a visão que lhes foi dada por Deus.

Outros, correndo atrás de fama e reconhecimento humano, se dobram diante de convites de pastores ou ministérios que não tem nada a ver com a visão inicial ou até com o próprio chamado.

Por isso vemos tantos ministros frustrados, e ministérios que começaram bem, mas acabam fora da vontade de Deus. Eles erram na hora de escolher entre Deus e Mamom; e acabam se dobrando diante da "imagem de ouro".

Conheço pessoas que não se vendem, e por causa disso sofrem perseguições e discriminação, o que seria a fornalha na época de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. Mas eles foram libertos dentro da fornalha, e a bíblia diz que o Próprio Senhor estava lá dentro com eles, e não só foram livres como também não se achou nenhum dano neles. Eles confiaram no seu Deus.

Conheço um rapaz, do sul do Brasil, que viveu uma situação que irá ilustrar melhor essa passagem nos dias de hoje:

Ele é um rapaz normal, veste roupas de "skatetisto", usa cabelo comprido, ouve música radical (cristã), mas o que me chama mais a atenção é o compromisso que ele tem com a santidade. Um belo dia ele estava na sala de aula, e o professor começou a contar piadas imundas e pornográficas.

Quase todos os alunos riram das tais piadas, inclusive alguns "crentes". Mas este rapaz se levantou e disse -Professor, se o senhor não parar com essas piadas, eu peço licença paro me retirar da sala, pois eu vim aqui para estudar, e não para ouvir essas porcarias. Imediatamente o professor começou a humilhar o rapaz, chamando-o de "santinho", "crentinho", e tantas outras coisas depreciativas.

Também os alunos, inclusive os crentes. Começaram a discriminá-lo e a isolá-lo.

Ele foi jogado na "fornalha de fogo ardente" por não se dobrar diante da imagem de ouro imposta naquele momento pelo professor. E foi assim humilhado e rejeitado por muito tempo, sozinho, dentro da fornalha da solidão, (se você quer ser radical, muitas vezes sentirá solidão). A toda hora era convidado para se drogar ou fazer sexo. Se ele se prostrasse aos convites de sedução, sexo, drogas, bebidas, que hoje "não tem nada a ver, todo mundo foz", ele seria aceito pela turma.

Mas sempre o diabo nos dá uma segunda chance. O rei Nabucodonosor deu uma segunda chance a Sadraque e amigos (Dn 3.15), mas eles ficaram firmes, O rapaz da nossa história também ficou firme, e foi ai que as coisas começaram a mudar, ele ficava no seu canto, no recreio, com seu walk-man adorando a Deus, e a presença do Senhor era a cada dia mais palpável em sua vida.

Passados alguns meses ele foi procurado por um dos alunos, (um dos que o isolara), o qual lhe pediu ajuda, pois ele tinha engravidado uma menina, o rapaz orou por ele e o levou aos pés de Jesus, depois, foi procurado por outro jovem que estava viciado em drogas e quase morreu de overdose, e outros o procuraram, mais tarde com diversos problemas. Ai ele fundou uma reunião de oração, que passou a ser freqüentada por muitos alunos, e ele se tornou o líder deles. Jesus, o quarto homem, esteve com ele dentro da fornalha.

As historias são semelhantes, pois no final tanto este rapaz, quanto Sadraque e amigos, foram reconhecidos e honrados por aqueles que os perseguiram e humilharam, sem ter que se vender nem se prostrar diante do "imagem de ouro".

Se você confiar em Deus e ficar firme diante das propostas pecaminosas, quando "o som" começar a tocar indicando que você deve se prostrar, se render, se entregar, mas você dizer -NÃO! EU NÃO ESTOU A VENDA! Você pode ter certeza que a pesar de acontecerem algumas discriminações e perseguições, o próprio Senhor Jesus estará com você dentro da fornalha e te livrará dentro dela, Fique firme e confie no Senhor.

Faça parte da geração de adoradores radicais.

Deus abençoe
Jorge Russo
http://www.ministeriotrio.com.br
contato@ministeriotrio.com.br




terça-feira, 3 de junho de 2008

Uns São e Unção

Nestes últimos dias ouvimos experiências, as mais diversas, de pessoas que testemunham que receberam algum tipo de unção. Unção do leão, unção da águia, unção dos quatros seres viventes – imagine o que poderiam fazer com unção assim – unção da lagartixa, etc. Só não ouvi testemunho algum de alguém que tenha recebido unção do quebrantamento, unção da obediência, unção da paz, etc.

Isso tem me preocupado, porque analisando as experiências de homens de Deus tanto no Antigo como no Novo Testamento não encontro este tipo de unção. Encontro homens ungidos, capacitados, que operam milagres de Deus na terra; homens e mulheres com unção, mas não uma unção específica. Folheando os arquivos da história da igreja também nos deparamos com muita unção; gente que viveu as mais estranhas experiências espirituais, mas nunca uma unção específica. Eram pessoas ungidas com o Ungido.

Explico. É que na Bíblia não encontramos tipos específicos de unção. Encontramos ungidos com a Unção!

Mas o que é unção? João responde: “E vós tendes a unção que vem do Santo e todos tendes conhecimento... Quanto a vós outros, a unção que dele recebestes permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é falsa, permanecei nele, como também ela vos ensinou” (1 Jo 2.20,27).

Esse é um dos únicos textos da Bíblia que fala da unção como uma coisa concreta, não um fluído, um som, um vento. Ainda que na experiência de se ter o Espírito Santo a sensação que se sente mexe com a alma, as emoções, o que se recebe é algo concreto; recebe-se a própria Pessoa do Espírito Santo que passa a residir em nós!

João deixa claro que a unção vem de Deus; que ela traz conhecimento; que nos ensina, e que não é falsa. Isto posto, transparece a idéia de que existe unção que é falsa, que não vem do Santo e que não traz conhecimento!

Algumas coisas que precisamos entender.

Primeiro. A unção é uma experiência que começa na conversão. É quando o Espírito de Deus passa a residir em nós. “Em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor da nossa herança, até ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória” (Ef. 113). Ouro texto: “Mas aquele que nos confirma convosco em Cristo e nos ungiu é Deus, que também nos selou e nos deu o penhor do Espírito em nosso coração” (2 Co 1.21-22). E ainda: “E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção” (Ef 4.30). Nestes textos, vemos que eles falam do Espírito Santo, como uma garantia para a salvação, que nos “carimba”, que nos sela, marcando o objeto de sua posse. Aqui a unção é um selo.

Segundo. Os discípulos receberam o Espírito Santo a primeira vez em João 20.22, e depois foram cheios novamente em Atos 2.4 e depois novamente em Atos 4.31! Ser cheio do Espírito Santo uma vez não garante unção para sempre. Precisamos ser cheios do Espírito Santo todos os dias, continuamente! É algo que ocorre “mediante o seu Espírito no homem interior” (Ef 3.16) e que deve ser cultivado de nossa parte, para que nos enchamos sempre do Espírito. “Enchei-vos do Espírito”, diz Paulo (Ef 5.18).

Terceiro. Se a unção é algo concreto que recebemos de Deus – por que, então, perdemos o vigor do Espírito, ou sentimos que vazamos da unção? Uma das respostas está em Efésios 4.30. Nós o entristecemos! E as razões porque o Espírito Santo se entristece em nós está escrito em Efésios 4.25 a 29, e depois dos vv. 31-32. Há outros exemplos de entristecimento do Espírito Santo. Paulo aconselha: “Não apaguem o Espírito”!

Quarto. Em 1 João 2.20,27 unção é conhecimento divino. A presença do próprio Espírito Santo.

Quinto. Unção é também separação como nos Salmos 45.7; 89.20. Jesus foi separado, ou ungido pelo Pai, conforme Isaías Is 61.1 fato que se cumpriu em Lucas 4.18. Os utensílios do templo eram “ungidos”, isto é, separados! Em 1 Crônicas 16.22 refere-se a separação de todo o povo de Deus!

Finalmente unção é delegação de autoridade (1 Sm 16.12-23 na unção de Davi e 1 Rs 1.39 na unção a Salomão e que depois é ungido novamente (1 Cr 29.22). – Aqui um precedente: Pode-se ungir (autorizar uma pessoa) várias vezes perante o povo para que este respeite a autoridade de Deus sobre ela!

Conclusão: Unção é Habitação de Deus em nós. Unção é inteligência de Deus em nós; é separação. É delegação de autoridade! A unção é completa e não se manifesta apenas como leão e águia, símbolos de força e altivez, mas como bezerro e homem, símbolos da humildade e de humanidade!

Se alguém teve uma experiência com o Espírito Santo e a experiência a deixou orgulhosa, insubmissa, rebelde, achando que é melhor que os outros; posso garantir que é falsa e que não veio do Espírito da verdade! A verdadeira experiência com o Espírito Santo nos deixa mais humildes, serviçais e nos faz calar.

Unção, portanto, é a Presença do Espírito Santo em nós. Alguns, no entanto, confundem unção com manifestações. A unção pode vir acompanhada de todo tipo de manifestações, mas nem sempre as manifestações significam que temos unção. Às vezes uns são!

Pr. João A. de Souza Filho

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