segunda-feira, 17 de maio de 2010

Oração (Tipos de Oração)


Leitura: Lc 18.1-8

A Bíblia nos manda orar (Mt 26.41; Mc 14.38; 1 Ts 5.17; Tg 5.16) com toda sorte de oração (Ef 6.18). Há diversos tipos ou espécies de oração e cada um deles segue princípios claros. Há orações que não buscam necessariamente alguma coisa de Deus. Outras visam alterar uma circunstância em nossa vida ou na vida de terceiros. A todas elas Deus deseja ouvir (Sl 65.2; Pv 15.8b).

Níveis de Oração
Poderíamos classificar as orações em três níveis diferentes: Deus, nós e os outros. Dentro de cada um desses níveis há diversos tipos de oração:

1. Deus como centro das nossas orações
Há orações que são dirigidas a Deus, visando Deus mesmo, o que Ele é, o que Ele faz e o que Ele nos tem feito.
• Ações de Graça - A expressão do nosso reconhecimento e gratidão a Deus pelo que Ele nos tem feito. Exemplo (Sl 103)
• Louvor - São expressões de louvor a Deus pelo que Ele faz. Louvar é reunir todos os feitos de Deus e expressá-los em palavras, numa atitude de exaltação e glorificação ao Seu Nome, que é digno de ser louvado. Exemplo: (Sl 46; Lc 1.46-55).
• Adoração - O tipo de oração que exalta a Deus pelo que Ele é. É o reconhecimento do que Ele é. É a resposta do nosso amor ao amor Divino. Exemplo (Sl 100; 1 Sm 2.1-10).

2. Nós mesmos como o centro das orações
Aqui vamos a Deus para apresentar necessidades pessoais.
• Petição - É “um pedido formal a um poder maior”. É a apresentação a Deus de um pedido, visando satisfazer uma necessidade pessoal, tendo como base uma promessa de Deus. Exemplo: (Sl 59).
• Entrega - É a transferência de um cuidado ou inquietação para Deus. É lançar o cuidado sobre o Senhor, com um conseqüente descanso. Essa oração é feita quando um cuidado, um problema ou inquietação nos bate à porta. Exemplo: (Sl 38; 2 Cr 20.5-12).
• Confissão – Pela oração, confessamos a Deus nossos pecados e fraquezas, pedindo o Seu perdão e restauração. Exemplo (Sl 51; Ed 9.5-15)

3. Os outros como centro das nossas orações
Aqui vamos a Deus como sacerdotes, como intercessores, levando a necessidade de outra pessoa. Interceder é colocar-se no lugar de outro e pleitear a sua causa. Exemplo: (Jo 17).

Oração contendo adoração, louvor, confissão, petição (Ne 9; Mt 6.9-13)

Formas de Oração

• Oração Privada (Mt 6.6). Cada filho de Deus tem direito de entrar em Sua presença, com confiança, e apresentar-Lhe a oração da fé (Hb 4.16). Nessa forma de oração só o Espírito de Deus é testemunha. Ela pode ser feita apenas no coração, ou em palavras audíveis.
• Oração de Concordância (Mt 18.18-20).. Aqui, dois ou três se reúnem em comum acordo sobre o que pedem a Deus. Há um poder liberado através da concordância (Dt 32.30).
• Oração Coletiva (At 4.23-31). Esta é feita quando o Corpo se une em oração. É uma oração de concordância com um número maior. Quando um corpo de cristãos levanta sua voz a Deus, unânime, não só na palavra ou expressão, mas no mesmo espírito, como na Igreja de Jerusalém, há uma grande liberação do poder de Deus.

Recursos de auxílio à oração
Toda vida e manifestação do poder de Deus é o resultado da união entre o Espírito Santo e a Palavra de Deus. Esses dois grandes recursos à nossa disposição para o exercício espiritual da oração.
• Orando a Palavra - Orar a Palavra é tomar a promessa de Deus e levá-la de volta a Ele, através da oração (Is 62.6-7). A vontade de Deus é a Sua Palavra e toda oração de acordo com Sua vontade, Ele ouve (1 Jo 5.14).
• Orando no Espírito (1 Co 14.14; Ef 6.18; Jd 20) - Em áreas conhecidas pela mente, podemos aplicar a Palavra escrita, orando de acordo com o nosso entendimento. Mas, quando chegamos ao limite da mente, o Espírito Santo vem em nosso auxílio (Rm 8.26-27). Podemos orar no espírito, pelo Espírito de Deus, e também orara em línguas (Rm 14.14,15).

Armas de Combate na Oração
A oração tem terríveis inimigos no reino das trevas, mas Deus nos deu os recursos inesgotáveis da Sua graça para nos conduzir em triunfo. (Dn 10.12-21; Ef 6.10-18; 2 Co 10.4-5).
Jesus nos deu autoridade de ligar e desligar (Mt 18.18). Podemos lançar mão dessa autoridade e declarar guerra às forças de Satanás, enfrentando-as:
1. Na autoridade do nome de Jesus, a Quem tudo está sujeito (Lc 19.29; Mc 16.17).
2. Com a arma de combate, que é a Palavra de Deus (Ef. 6.17).
3. Sob a cobertura do sangue de Cristo e no poder do Espírito Santo (Ap 12.11; Lc 4.14). O inimigo será vencido por um poder maior (Mt. 12.29; 1 Jo 4.4; Tg 4.7).

Obstáculos à Resposta de Oração
1. Relacionamentos destruídos (1 Pe 3.1,7; Mt 5.23-24). A vida familiar deve ser posta diante de Deus. Quando as orações não estão sendo respondidas, pode haver falha no relacionamento entre cônjuges, pais e filhos, irmãos, etc.
2. Coração que não perdoa (Mc 11.25). Qualquer que guarda espírito de rancor ou mágoa contra alguém, fecha os ouvidos de Deus para sua própria petição.
3. Contenda (Tg 3.16). A contenda é simplesmente agir movido pela falta de perdão. Paulo declara que por causa de contendas Satanás pode tornar cristãos prisioneiros de sua vontade.
4. Motivação errada (Tg 4.3). Um sério obstáculo à oração é pedir a Deus coisas que realmente não necessitamos, com o propósito de satisfazer desejos egoístas. O propósito primeiro da oração deve ser a glória de Deus (1 Co 10.31). Exemplo: (Mt 20.20-23; Lc 9.51-56)
5. Pecado não confessado (Is 59.1,2). Uma atitude de rebeldia ou desobediência à Palavra de Deus fecha os Céus para nós. Qualquer pecado inconfessado torna-se inimigo da oração. Uma vida de obediência, porém, abre o caminho à resposta de Deus (1 Jo 3.22).
6. Ídolos no coração (Ez 14.3). Ídolo é toda e qualquer pessoa ou coisa que toma o lugar de Deus na vida de alguém. É aquilo que se torna o objeto supremo da afeição. Aquilo que mais ocupa o nosso pensamento. Deus deve ser supremo em nossa vida.
7. Falta de generosidade para com os pobres e o trabalho de Deus (Pv 21.13). A recusa de ajudar o que se encontra em necessidade, quando podermos fazê-lo, impede a resposta às nossas orações.
8. Dúvida e incredulidade (Tg 1.5-7). A dúvida é ladra da bênção de Deus. A dúvida vem da ignorância da Palavra de Deus. A incredulidade é quando alguém sabe que há um Deus que responde às orações, e ainda assim não crê em Sua Palavra. E não crer nas promessas é duvidar do caráter de Deus.

Devemos orar. Não somente estudar oração, mas praticá-la. “A maior tragédia não são as orações que não foram respondidas, mas as que não foram feitas”. Ver (Tg 4.2).

Obras Consultadas:
HYBELS, Bill. Ocupado Demais para Deixar de Orar. Campinas: United Press, 1999.
MILHOMENS, Valnice. Tipos de Oração. São Paulo: Palavra da Fé, 2000.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Alguns Efeitos da Oração!



O exercício intenso e continuado da oração produz na vida do servo de Deus alguns resultados muito importantes. Alguns deles são:

1- Reconhecimento: Pleno reconhecimento da paternidade divina

2- Resposta: Deus sempre responde as nossas orações positivamente e sempre para o bem daqueles que o amam. Porém isto não significa dizer SIM. Muitas vezes a resposta do Senhor é um contundente NÃO e isto também é responder positivamente. A positividade da resposta pertence ao Senhor. A nós compete a aceitação humilde e resignada, pois não sabemos orar como convém. Apenas o Senhor que está sobre todas as coisas sabe o que realmente é o melhor para cada um de nós.

3- Submissão: O exercício da oração nos ensina a submissão incondicional à soberana vontade de Deus, seguindo o modelo de Cristo. A vontade e os desejos da criatura não podem prevalecer diante do Criador.


4- Milagre da Graça: Consciência plena de que diante de Deus, Criador, Eterno, Absoluto, Imutável e Infalível em seus decretos, planos e vontade, atos e palavras, o redimido se coloca dentro de seu estado real: pecador, mortal, impotente, ineficiente, incapaz, limitado.

A oração não é o recurso da virtude humana pelo qual a criatura manobra o Criador, mas uma concessão da graça divina para que possamos nos manter sob a vontade diretiva do Senhor.

Poder falar com Deus em oração é uma graça, é um privilégio.



Adaptado de “Os Ministérios da Igreja”
Revista Educação Cristã – SOCEP Vol.09 Maio/2007

quarta-feira, 17 de março de 2010

Uma Luz na Caverna



de Max Lucado

Eles estão vindo como amigos, amigos secretos — mas amigos de qualquer jeito. "Você pode deitá-lo agora, soldado. Eu vou cuidar dele."

O sol da tarde está alto enquanto eles ficam de pé, em silêncio, no monte. Tudo parece mais quieto do que antes. A maior parte da multidão foi embora. Os dois ladrões ofegam e gemem, pendurados ali, prestes a morrer. Um soldado encosta uma escada na árvore do centro, sobe nela e remove a estaca que prende a viga de apoio da cruz. Dois dos soldados, contentes ao ver o fim do dia de trabalho, ajudam na tarefa pesada de colocar a cruz de cipreste e o corpo no chão.

"Cuidado agora", diz José.

Os pregos de 12 cm são retirados da madeira dura, libertando as mãos frouxas. O corpo que revestia o Salvador é levantado e colocado sobre uma rocha grande.

"Ele é todo seu", diz a sentinela. A cruz é posta de lado, para ser levada em seguida ao depósito até a próxima requisição.

Os dois não estão acostumados a este tipo de trabalho. Mas suas mãos se movem rapidamente, cumprindo a tarefa.

José de Arimatéia se ajoelha por trás da cabeça de Jesus e enxuga com ternura a face ferida. Com um pano macio e molhado ele limpa o sangue que escorreu no jardim, devido aos açoites e à coroa de espinhos. Feito isto, ele fecha os olhos bem fechados.

Nicodemos desenrola os lençóis de linho levados e os coloca na rocha ao lado do corpo. Os dois líderes judeus levantam o cadáver sem vida de Jesus e o põem sobre os lençóis. Partes do corpo são agora ungidas com especiarias perfumadas. Ao tocar as faces do Mestre com aloés, Nicodemos não consegue conter a emoção. Suas lágrimas caem sobre o rosto do Rei crucificado. Ele faz uma pausa para enxugar outra. O judeu de meia-idade olha tristemente para o jovem Galileu.

E um tanto irônico que o sepultamento de Jesus fosse conduzido, não por aqueles que se gabaram que jamais o deixariam, mas por dois membros do Sinédrio, dois representantes do grupo religioso que matou o Messias.

Todavia, de todos os que eram devedores daquele corpo sofrido, ninguém devia tanto quanto aqueles dois. Muitos tinham sido libertados dos abismos profundos da escravidão e doença. Muitos foram encontrados nos túneis mais escuros, túneis de perversidade e morte. Mas túnel algum jamais foi mais escuro do que aquele do qual esses dois homens foram resgatados.

O túnel da religião.

Não existe outro mais sombrio. Suas cavernas são muitas e seus abismos profundos. Seu desagradável mau cheiro subterrâneo é produto de boas intenções. Seu labirinto de canais está repleto de desorientados. Suas trilhas estão cobertas de odres de vinho e bebida derramada.

Você não desejaria levar uma fé incipiente para este túnel. As mentes jovens e inquisitivas logo se estragam na escuridão mortiça. As novas perspectivas são ignoradas a fim de proteger as frágeis tradições. A originalidade é desencorajada. A curiosidade sufocada. As prioridades desconsideradas.

Cristo só teve palavras fortes de censura para os que habitam nas cavernas. Ele os chamou de "hipócritas". Atores sem Deus. Construtores de barreiras. Juízes inflexíveis. Podadores sem autorização. Detalhistas inúteis. "Guias cegos". "Sepulcros caiados". "Víboras." Bang! Bang! Bang! Jesus não tinha tempo para os que se especializavam em fazer da religião um deus da guerra e da fé uma corrida pedestre. Não lhes dava qualquer oportunidade.

José e Nicodemos também estavam cansados. Haviam experimentado tudo. Tinham visto as listas de regras e regulamentos. Observaram o povo tremer sob os fardos insuportáveis. Ouviram as discussões intermináveis sobre detalhes legalistas. Usaram as vestimentas e se sentaram nos lugares de honra, vendo a Palavra de Deus ser usada em vão. Puderam perceber que a religião se tornara uma muleta que aleija.

Eles queriam livrar-se de tudo isso.

O risco era grande. A alta sociedade de Jerusalém não aprovaria a atitude de dois de seus líderes religiosos sepultando um revolucionário. Mas para José e Nicodemos a escolha era óbvia. As histórias contadas por aquele jovem pregador de Nazaré continham uma verdade que jamais fora ouvida na caverna. E, além do mais, eles preferiam salvar suas almas do que suas peles.

Levantaram então vagarosamente o corpo e o levaram para o túmulo novo. Ao fazerem isso, acenderam uma vela na caverna.

Supondo que esses dois homens estivessem observando o mundo religioso durante os últimos dois mil anos, eles teriam provavelmente descoberto que as coisas não mudaram tanto.

Existe ainda uma grande parte de mal vestindo as roupas da religião e usando a Bíblia como um malho. É ainda moda usar títulos sagrados e correntes santas. E continua sendo ainda verdade que é preciso encontrar fé apesar da igreja em lugar de na igreja.

Eles observaram também, no entanto, que no momento em que os religiosos ficam religiosos demais os retos ficam retos demais, Deus encontra alguém na caverna que acende uma luz. Ela foi acesa por Lutero em Wittenburg, por Latimer em Londres e por Tyndale na Alemanha. John Knox soprou as brasas como um escravo das galés e Alexandre Campbell fez o mesmo como pregador.

Não é fácil acender uma vela numa caverna escura. Todavia, aqueles dentre nós cujas vidas foram iluminadas por causa desses homens corajosos são eternamente gratos. De todos os atos de esclarecimento, não há dúvida qual foi o mais nobre.

"Você pode deixá-lo agora, soldado. Eu cuidarei dele."